quarta-feira, 15 de junho de 2011

Loucura Sã

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Quero a palavra seca, vento, Solão que vara a noite, quero a palavra molhada, enverdecida. O cheiro dela, do Sol o calor dele, da chuva o grito dela, do fogo a labareda.

Bateram lá na porteira, ela olhou os pardais que voaram assustados. O vestido pintado terroso, das mãos sempre a limpar com gestos repetidos na borda da saía. Acabara de lutar com o barro, rasgava os pedaços. Tão distraída não escutou os passos do homem estacando, já tão próximo.
Ele olhava entorno sem voltar a cabeça. Girava o OLHAR, só o OLHAR. Ela captou o espanto!
Ela aprisionou aquele silêncio.
___ Um teatro? Para um teatro?
O homem sério despediu-se sujando as mãos entre as mãos barrentas dela, riram-se do descuido.

Ela varou a madrugada adentro, coração aos pulos, conheceu aquele gozo que é bem próximo de um DELÍRIO. As cores arrebentavam de seus olhos. Um teatro? Como colocar esse DELÍRIO em barro? Como fazer o barro gritar? Chorar? Sim, ao ferir o barro buscaria a dor? Um perfil branco falaria de todos os silêncios. Adoçaria com azuis a gargalhada, se houvesse. O espanto estaria presente nas máscaras em azul cobalto, os personagens todos se apresentaram. Os seus gestos escavavam com ternura, já agora suas mãos ficaram lá, já faziam parte.
Ela lembrou do OLHAR. Não precisaria mais do que um OLHAR.
O painel todo veio aos borbotões, os gritos, os sussurros, as gargalhadas, os silêncios, os gestos.

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